Vida e Obra
oberto Gómez Bolaños nasceu em 21 de fevereiro de 1929, na Cidade do México. Filho do pintor Francisco Gómez Linares — que faleceu quando Roberto tinha apenas cinco anos —, cresceu numa família humilde que cultivou nele o amor pela arte, pela literatura e pela observação do comportamento humano.
Formou-se em engenharia civil pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), mas foi a criatividade que definiu seu caminho. Na publicidade e no rádio dos anos 1940 e 1950, Gómez Bolaños desenvolveu uma habilidade singular para o texto humorístico e para a construção de personagens memoráveis.
Seu apelido, Chespirito — diminutivo carinhoso de 'pequeño Shakespeare' —, surgiu nos bastidores da televisão mexicana como reconhecimento de sua versatilidade criativa: ele não era apenas ator, mas o autor completo de tudo que produzia: roteiro, direção, interpretação, músicas e figurino.
Em 1970, estreou El Chapulín Colorado, uma paródia do gênero de super-heróis que invertia todas as convenções: o protagonista era medroso, desastrado e fisicamente fraco — mas dotado de uma bondade genuína que o tornava, no final, sempre o herói. O programa tornou-se fenômeno imediato.
Dois anos depois, em 1972, El Chavo del 8 estreou e reescreveu a história da televisão latinoamericana. Ambientada num conjunto habitacional popular, a série mostrava as aventuras e desventuras de um menino órfão que morava num barril — personagem que RGB criou originalmente como adulto, mas cujo humor e inocência infantis o tornaram a criança mais amada da televisão continental.
A obra de Roberto Gómez Bolaños foi exibida em mais de 50 países e traduzida para dezenas de idiomas. No Brasil, El Chavo del 8 — dublado como Chaves — tornou-se um fenômeno cultural autônomo, com gerações inteiras crescendo com os personagens como se fossem parte da própria família.
Além da televisão, RGB escreveu memórias, peças teatrais, roteiros cinematográficos e artigos de opinião. Sua visão de mundo, marcada pela empatia com os pobres e pela crença no poder humanizador do riso, perpassou toda a sua obra.
Roberto Gómez Bolaños faleceu em 28 de novembro de 2014, em Cancún. O luto se manifestou espontaneamente em dezenas de países: faixas nas sacadas, velas em praças, choros coletivos transmitidos ao vivo. Raramente um artista de televisão foi despedido com tamanha comoção popular.